MINI ROAD TRIP PELO SUL DE ESPANHA – PARTE 3

Depois de deixar Cádis para trás, a próxima paragem foi Algeciras. Escolhemos esta cidade porque o objectivo principal era visitar Gibraltar mas os alojamentos lá são demasiados caros. Outra opção era escolher um local para pernoitar na Línea de la Concepción que ficava mais próximo mas também era muito dispendioso para a minha carteira. Contudo, fiz a escolha acertada porque o hotel foi óptimo e ficamos relativamente perto. Mas já dou mais pormenores à frente.

Decidimos ir pela estrada E-5, um pouco mais demorada mas com uma vista fantástica. Passámos no meio de campos de grandes plantações e por locais que vimos de perto as ventoinhas eólicas. Ao passar por Tarifa vimos o céu mais colorido de sempre. Via-se só pessoas a fazer Kitesurfing e por isso o céu estava cheio de cores. Tarifa é conhecida por ser um ponto de ligação para Tânger, uma cidade no norte de Marrocos. É também reconhecida pelas viagens de barco organizadas para ver golfinhos e baleias.

Um local imperdível que encontrámos na nossa viagem foi o Mirador del Estrecho. Com sorte, como foi no nosso caso conseguimos avistar perfeitamente África e o estreito de Gibraltar. Este local oferece uma vista perfeita que ficará para sempre na nossa memória.

Chegando ao hotel Aura Algeciras 3*, ficamos muito impressionados com o quarto. Era bastante espaçoso, com um wc agradável e tudo muito limpinho. O hotel oferece parque de estacionamento o que é óptimo, o problema é que é bastante escuro e tem que se escolher os locais que estão identificados com o símbolo do Hotel porque o parque também pertence ao condomínio que está ao lado. Ficámos mesmo perto do centro o que facilitou a procura por um local para jantarmos. Claro que o jantar foi tapas!

No dia seguinte quando fomos tomar o pequeno almoço, fomos com o intuito de encontrar uma pastelaria como aquelas com bom aspecto que temos em Portugal, mas não tivemos sorte. Em algumas zonas de Espanha não é muito habitual. Só encontramos locais onde se comia torradas e que havia muito barulho. Sim! Porque os espanhóis tem tendência de falar um pouco alto 🙂 Durante a nossa procura exaustiva pela idealizada pastelaria descobrimos que estava a decorrer uma feirinha. Fomos dar uma espreitadela! É uma feirinha semanal com coisas bem baratinhas.

Quando já estavamos a chegar perto de Gibraltar avistamos a magnifica The rock, o rochedo. É um rochedo militarmente estratégico na entrada do mar Mediterrâneo, que serviu para proteger o estreito que une África ao continente europeu.

Ao chegar à entrada de Gibraltar encontramos uma longa fila de espera. Esperamos de baixo de sol perto de 1h30 até conseguirmos passar a fronteira. Não devíamos ter demorado tanto na feirinha 🙂

Quando finalmente conseguimos entrar e mostrar as identificações, deparámos-nos com a tão famosa pista de aterragem de aviões que é mesmo no meio da estrada. Aqui os carros têm  que esperar para o avião aterrar. Foi a pista mais pequena que já vi.

Ao andar por Gibraltar em busca de estacionamento é impossível não sentir que estamos em território britânico. Tudo está escrito em inglês, a farda dos policias, as máquinas de câmbio para trocar o euro para libra e claro a bandeira inglesa em diversos locais. Em relação à moeda, é possível usar o euro e no que respeita à língua não é necessário falar inglês porque existe muita informação em espanhol e muitas pessoas a falar a língua espanhola.

Para subir a montanha sabíamos que poderíamos ir de teleférico e depois visitar todos os pontos a pé mas tínhamos pouco tempo para poder ver tudo. Não aconselho a subir a montanha com o carro, porque são ruas muito estreitas e sem barreiras de segurança e também porque tem locais muito complicados para fazer manobras. Quando chegamos à entrada do posto de atendimento do teleférico estavam uns senhores a atrair pessoas para as suas excursões pela montanha. Inicialmente ficamos um pouco reticentes porque não tínhamos conhecimento desta opção mas depois ao ver tantas pessoas a aderirem e ao comparar os preços com os do teleférico e ainda mais as entradas nos pontos turísticos na montanha optamos pela excursão. Foi sem dúvida a melhor opção que fizemos. Eram carrinhas de 9 lugares, em que o condutor fazia de guia e falava inglês e espanhol. Esta opção ofereceu-nos a possibilidade de subir toda a montanha, sem nos cansarmos e sem perder muito tempo, e ainda a entrada nos locais como: Gruta de San Miguel, Great Siege Tunnels, Pilares de Hércules e o melhor: a interacção com os macacos de Berberia. Os conselhos do condutor foram importantes, porque ele avisou desde cedo que quando estivéssemos com os macacos não poderiamos ter malas, sacos plasticos ou até coisas nos bolsos, porque eles agarram em tudo. Acima de tudo, eles podem interagir conosco mas nós não lhe podemos tocar porque se não, eles atiram-se. Quando chegamos perto do local onde estão os macacos, no cimo da montanha, eles saltaram logo para cima das carrinhas. Foi muito divertido, porque o condutor brincou com eles e chamou-os para perto de nós para que todos tivéssemos a oportunidade de ver de perto e tirar fotografias. Para além de todas as informações e partilhas de experiência que o condutor nos contou, ele também nos explicou que se está a esterilizar todas as macacas porque já existe superlotação e que estão a criar melhores condições para os animais. É sempre bom saber que as mentalidades mudam e se começa a dar mais atenção aos animais.

Para além do rochedo, que é o ponto mais atractivo, existe muito comércio nas ruas de Gibraltar, a praça Casemates que é bastante movimentada e tem comércio tradicional, o museu de Gibraltar, o Castelo dos Mouros, a Catedral de Santa Maria e a possibilidade de ir espreitar os grande cruzeiros turísticos que atracam no porto de Gibraltar.

No último dia da nossa viagem, fomos visitar a praia de Algeciras que é muito fraca comparada com uma das nossas, porque a areia não é muito limpa e por causa da sua proximidade ao porto industrial da cidade.

O último local de visita foi o Zoo de Castellar de la Frontera, um centro de resgate.  O parque não é muito grande mas oferece uma experiência diferente. Neste zoológico é possível interagir com alguns animais selvagens que foram apreendidos pelas autoridades. Estes animais foram vitimas de mercado negro em que foram maltratados e negligenciados.

Quando chegamos tivemos a oportunidade de tocar num pequeno tigre e num pequenino leopardo. Depois entramos no local onde estavam os lemurs e alimentamos-los com a comida que compramos na entrada. Foi tão interessante ver como eles são de perto, como comem, como brincam connosco e poder dar-lhes umas festinhas, só não podia ser na cabeça. A seguir encontramos uma tratadora com um macaquinho pequenino que andava livre pelo chão a brincar. Peguei-lhe ao colo e alimentei-o. Coisas simples, como o interagir com eles, fazem-nos perceber o quão frágeis eles são perto de nós e de todas estas mudanças no meio ambiente, por isso só temos que tentar não os magoar.

Apesar de ser um parque pequeno oferece muitas possibilidades de lidar com diferentes animais, como: aves de rapina, papagaios, avestruzes, coelhos, repteis, macacos, entre outros. Pagar para visitar um sitio como este, serve para ajudar a criar melhores condições para os animais que já sofreram muito nas mão de humanos que só os vêem como simples objectos que podem vender e abusar.

Ao fim desta experiência gratificante, ficámos cheios de força para uma viagem de 6 horas que fizemos de retorno a casa, com uma paragem pelo meio no Mercadona. Diziam-nos que comparadamente aos nossos supermercados tinham preços mais em conta, então resolvemos ir ver e fizemos umas comprinhas.

São viagens como esta, em que tiramos uns dias para conhecer novos locais, pessoas, tradições e culturas que nos enchem o coração, sendo elas as melhores recordações que podemos guardar.

Aqui ficam algumas fotografias da autoria Mala Verde Menta.

Anúncios

2 thoughts on “MINI ROAD TRIP PELO SUL DE ESPANHA – PARTE 3

    1. Pois Ruthia o meu primeiro impacto também foi esse. A verdade é que ele não deixa de ser um animal selvagem e o parque tem receio que aconteça alguma coisa. Contudo, ele não está lá muito tempo exposto. Mas não deixa de ter a sua crueldade.

      Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s